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Capítulo 6

Pré-Modernismo
no Brasil

Entre o velho e o novo — a literatura que olhou para o Sertão e para os esquecidos da República.

Resumo para o Vestibular

O Que é o Pré-Modernismo?

Não é uma escola literária formal — é um período de transição (1902–1922) criado pelo crítico Tristão de Ataíde. Autores ainda não modernos, mas que já rompiam com o século XIX. Marco inicial: Os Sertões (Euclides da Cunha, 1902). Marco final: Semana de Arte Moderna (1922).

🌵
Crítica Social

Denúncia das desigualdades da República — foco em personagens e espaços marginalizados (sertão, subúrbio, campo).

🗣️
Linguagem Coloquial

Afastamento da linguagem parnasiana erudita. Aproximação da fala cotidiana e regionalista.

🧭
Descentralização

Narrativas fora dos centros urbanos elegantes. Sertão, subúrbio, campo — espaços ignorados pela Belle Époque.

🔬
Sincretismo Estético

Fusão de influências: Realismo, Naturalismo, Impressionismo, Determinismo — sem escola única.

Contexto Histórico da Primeira República

Proclamação da República (1889) → disputas entre Deodoro e Floriano → Política do Café com Leite (SP e MG se alternam no poder) → exclusão de negros e ex-escravizados → surgimento de revoltas populares.

⚠️ Cai muito em prova

Os Dois Grandes Autores

Euclides da Cunha

1866 — 1909
  • Engenheiro militar, correspondente de guerra
  • Obra principal: Os Sertões (1902)
  • Positivista e republicano
  • Assassinado em 1909 ("Tragédia da Piedade")
  • Estilo: científico + literário + jornalístico
  • Frase síntese: "A Campanha de Canudos foi um crime"
  • Linguagem: culta, científica, com figuras de linguagem intensas

Monteiro Lobato

1882 — 1948
  • Advogado, editor, escritor
  • Obra adulta: Urupês (1918), Cidades mortas
  • Criou Jeca Tatu — caipira paulista
  • Obra infantil: Sítio do Picapau Amarelo
  • Preso em 1941 por criticar Getúlio Vargas
  • Posições controversas: apoiou eugenia em O presidente negro
  • Crítico do indianismo romântico e do Parnasianismo

Timeline Interativa

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1889
Política
Proclamação da República
Deodoro da Fonseca proclama a República. Disputas internas com Floriano Peixoto. Fim da monarquia, mas manutenção das oligarquias rurais. Negros e ex-escravizados sem políticas públicas de integração.
1897
Guerra
Queda de Canudos
Arraial de Antônio Conselheiro destruído na 4ª expedição. 5.200 casas demolidas, mais de 25.000 mortos. Os últimos 4 defensores (um velho, dois homens e uma criança) resistem contra 5.000 soldados. Euclides da Cunha estava lá como correspondente.
1902
Literatura
Os Sertões — marco inaugural
Euclides publica Os Sertões — dividido em "A terra", "O homem" e "A luta". Primeira obra a retratar o Sertão nordestino com profundidade científica e literária. Marco do Pré-Modernismo.
1904
Revolta
Revolta da Vacina
Dr. Oswaldo Cruz impõe vacinação obrigatória contra varíola sem conscientização prévia. População reage com violência. Concomitantemente, florianistas tentam golpe. 5 dias de caos no Rio de Janeiro.
1910
Revolta
Revolta da Chibata
Marinheiros negros liderados por João Cândido se rebelam contra chibatadas. Dominam navios na Baía de Guanabara. Castigos físicos abolidos, mas rebelados depois perseguidos e expulsos. João Cândido = "Almirante Negro".
1918
Literatura
Urupês — Jeca Tatu
Monteiro Lobato publica Urupês, criando Jeca Tatu — o caipira indolente do Vale do Paraíba em decadência após a crise do café. Crítica ao indianismo romântico e ao abandono do homem do campo pela elite.
1922
Ruptura
Semana de Arte Moderna
São Paulo, Teatro Municipal. Encerra o Pré-Modernismo e inaugura o Modernismo brasileiro. Reação contra o Parnasianismo e a arte acadêmica. Lobato foi contra a Semana — chamou os modernistas de "paranóicos".

Exercícios de Vestibular

ALBERT EINSTEINQuestão 01
Canudos foi usado pela República como exemplo de "barbárie contra civilização". Com base nisso, é possível associar o movimento à:
Gabarito: DCanudos era um arraial de trabalhadores rurais que abandonavam as fazendas (luta pela terra), liderados por um beato místico (misticismo) que atacava o regime republicano laico (rejeição ao caráter laico). Era um movimento social, não necessariamente monarquista ou antipatriótico como a República queria fazer parecer.
UECEQuestão 02
Euclides da Cunha, autor de Os Sertões, "foi capaz de entender o Brasil na sua substância específica de grande diversidade genético-mestiça e conturbada formação social." Assinale a afirmação verdadeira sobre a obra.
Gabarito: BEuclides parte para Canudos como simpatizante republicano e volta denunciando: "A Campanha de Canudos foi um crime. Denunciemo-lo." Ele analisa a formação cultural do sertanejo (mestiçagem, misticismo, isolamento) para compreendê-lo — não para condená-lo. Vinga a memória dos vencidos ao registrar a desumanidade da destruição.
ENEMQuestão 03
Em Os Sertões, Euclides descreve o sertanejo que, no dia 12 de dezembro, coloca seis pedrinhas de sal ao relento representando os seis meses seguintes. Na manhã do dia 13, observa quais derreteram para prever chuvas. No experimento, a relação com a paisagem e a religiosidade permite que o sertanejo seja:
Gabarito: DA "experiência de Santa Luzia" mostra o conhecimento empírico do sertanejo sobre seu ambiente. Ao observar como o sal absorve umidade do ar, ele prevê as chuvas dos meses seguintes — é um saber popular que demonstra intimidade profunda com as condições climáticas da Caatinga. Euclides descreve isso com admiração: "Esta experiência é belíssima."
ENEMQuestão 04
Dois relatos sobre os últimos defensores de Canudos: Euclides da Cunha ("Canudos não se rendeu [...] caiu quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas [...] na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados.") e Henrique Soares ("Eram quatro fanáticos [...] Ao serem intimados para deporem as armas, investiram com enorme fúria [...] sanguinosa guerra que o banditismo e o fanatismo traziam acesa"). Cada autor caracterizou a atitude dos sertanejos como fruto da:
Gabarito: EEuclides valoriza a resistência heroica — "bravura" ("resistiu até ao esgotamento completo"). Soares usa "fanáticos" e associa ao "banditismo e fanatismo" — "loucura" como motivação. Os dois textos representam perspectivas opostas sobre o mesmo evento: o literário/humano (Euclides) versus o oficial/militar (Soares).
ENEMQuestão 05
A Revolta da Vacina (1904) "mostrou claramente o aspecto defensivo, desorganizado, fragmentado da ação popular. Não se negava o Estado, não se reivindicava participação nas decisões políticas; defendiam-se valores e direitos considerados acima da intervenção do Estado." A mobilização questionava:
Gabarito: DA população não se opunha à vacinação em si (não havia consciência científica suficiente), mas à forma autoritária como foi imposta — sem esclarecimentos, com truculência. Era uma defesa da autonomia individual contra a intervenção forçada do Estado no corpo das pessoas. O texto diz: "defendiam-se valores e direitos considerados acima da intervenção do Estado".
ENEMQuestão 06
A Revolta da Chibata: "os líderes terminaram presos e assassinados. A 'marujada' rebelde foi expulsa da esquadra. Num sentido histórico, porém, foram vitoriosos. A 'chibata' e outros castigos físicos jamais foram mais oficialmente utilizados." A eclosão desse conflito resultou da:
Gabarito: EOs marinheiros — em sua grande maioria negros, filhos de ex-escravizados — eram submetidos a chibatadas, um castigo físico herdado do período escravocrata. A Marinha mantinha essa prática mesmo após a abolição (1888), revelando que a mentalidade escravocrata persistia na hierarquia militar. A revolta foi contra essa herança direta da escravidão.
UNICAMPQuestão 07
No trecho de Monteiro Lobato em O picapau amarelo, Dom Quixote discorda das gravuras de Gustave Doré. Dona Benta diz: "Os historiadores costumam arranjar os fatos do modo mais cômodo para eles; por isto a História não passa de histórias." Nessa cena:
Gabarito: CDom Quixote afirma que as gravuras estão erradas ("Isso não passa de mistificação!"). Dona Benta, em vez de contradizê-lo, valida sua queixa e vai além: critica o próprio processo historiográfico — historiadores "arranjam os fatos do modo mais cômodo para eles". É uma visão crítica e relativista da História, característica do pensamento pedagógico de Lobato.
ENEMQuestão 08
Em Reinações de Narizinho (Lobato), há expressões como "camaronando", "caranguejando", "pequeninando e não mordendo". Esses verbos no gerúndio criam principalmente efeitos de:
Gabarito: EOs gerúndios criados a partir de substantivos ("camarão→camaronando", "caranguejo→caranguejando") expressam ação contínua e simultânea de todos os seres presentes no ambiente fantástico. A neologização verbal (criar verbos de substantivos) amplifica o sentido de movimento e vivacidade do cenário mágico do Sítio — tudo está fazendo algo ao mesmo tempo.
UNIOESTEQuestão 09
Sobre o conto "Urupês" de Monteiro Lobato, assinale a alternativa incorreta.
Gabarito: B (incorreta)"Urupês" é o título do livro de contos, não o nome de personagens. O nome vem de "urupê", um cogumelo parasitário que cresce em troncos apodrecidos — metáfora para o caipira que medra na decadência. Jeca Tatu é o personagem principal. A afirmativa confunde o título da obra com personagens.
FGVQuestão 10
Em Cidades mortas, Lobato descreve ricas cidades cafeicultoras do Vale do Paraíba em decadência. O texto conclui: "O fim da escravidão foi o fim dos barões. E também o fim do Império." Sobre essa conclusão, é correto afirmar que:
Gabarito: CO Vale do Paraíba já sofria com o esgotamento do solo após décadas de monocultura cafeeira (o café migrou para o oeste paulista). A abolição (1888) destruiu a base econômica dos barões, pois dependiam do trabalho escravo. Sem imigrantes dispostos a trabalhar nas condições do Vale e sem escravizados, os fazendeiros apoiaram a proclamação da República — que, ironicamente, não salvou suas propriedades em declínio.
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