Linha do Tempo Interativa

Navegue pelos eventos importantes.

0 / 0
Capítulo 5

Literatura
Policial

Mistério, dedução e violência urbana — o gênero que nasceu com a sociedade industrial e nunca mais parou.

Resumo para o Vestibular

Origem e Contexto

A literatura policial surgiu como resposta às transformações da sociedade industrial (séc. XIX): crescimento das metrópoles, aumento da criminalidade e crença no pensamento científico e racional. O primeiro conto policial é "Os assassinatos na Rua Morgue" (1841), de Edgar Allan Poe — inaugura o detetive e a investigação racional como elementos narrativos centrais.

🔍
Detetive

Figura central. Usa dedução, observação e raciocínio lógico para resolver crimes — não necessariamente é agente da lei.

📰
Crime como enigma

Na vertente clássica (mistério), o crime é um desafio intelectual. Na hard-boiled, é reflexo da realidade social violenta.

🤝
Narrador-parceiro

O detetive raramente narra a si mesmo (exceto no hard-boiled). O parceiro (Watson, Hastings) registra e exalta o herói.

🔗
Intertextualidade

O gênero se alimenta de referências cruzadas — Holmes cita Dupin, Bellini homenageia Hammett. É intertextual por essência.

As Duas Vertentes Principais

→ As duas grandes tradições da literatura policial

Whodunit / Mistério

Era dourada: entreguerras (1918–1939), principalmente na Inglaterra

Foco: enigma a ser resolvido por dedução. Crime como desafio intelectual.

Detetive: lógico, analítico, usa "células cinzentas"

Tom: ordenado, civilizado, final que restaura a ordem

Autores: Poe (Dupin), Doyle (Holmes), Christie (Poirot/Miss Marple)

Hard-Boiled

Surgiu: EUA, década de 1920, contexto da Lei Seca

Foco: crítica social — violência, corrupção, desigualdade

Detetive: sagaz, solitário, usa força física; frequentemente o narrador

Tom: linguagem direta, coloquial, sem introspecção — ação e diálogo

Autores: Hammett (Continental Op), Chandler, Bellotto (Remo Bellini)

⚠️ Cai muito em prova

Os Grandes Detetives

→ Perfil comparativo dos detetives mais cobrados

Auguste Dupin

Edgar Allan Poe
  • Primeiro detetive da literatura
  • Nobre francês decadente
  • Vive recluso, sai só à noite
  • Narrado por amigo anônimo
  • Método: raciocínio dedutivo
  • Contos: Rua Morgue, Marie Rogêt, Carta Roubada

Sherlock Holmes

Arthur Conan Doyle
  • Detetive consultor privado
  • Apelo científico e experimental
  • Narrado pelo Dr. Watson
  • Baker Street, 221B, Londres
  • Critica Dupin, mas o supera
  • Ícone cultural global: chapéu, lupa, cachimbo

Hercule Poirot

Agatha Christie
  • Ex-chefe da polícia belga
  • Bigode impecável, excentricidades
  • Usa as "células cinzentas" (cérebro)
  • Narrado pelo cap. Hastings
  • 11 romances + contos
  • Par com Miss Marple (vila de St. Mary Mead)

Delegado Espinosa

Luiz Alfredo Garcia-Roza
  • 12ª DP de Copacabana, Rio de Janeiro
  • Amante de literatura (Melville, Hemingway)
  • Estilo contemplativo e filosófico
  • 11 romances (1996–2019)
  • Mistura noir com crítica social brasileira
  • Assistidos por Ramiro e Welber

Exercícios de Vestibular

ENEMQuestão 01
No conto de Luís Fernando Veríssimo, "Ed Mort só vai", o detetive particular narra: "Mort. Ed Mort. Detetive particular. Está na plaqueta. Tenho um escritório numa galeria de Copacabana entre um fliperama e uma loja de carimbos. [...] As baratas estavam roubando as máscaras." O efeito de humor nessa crônica é basicamente construído por uma:
Gabarito: CO humor surge da estrutura fragmentada dos períodos curtíssimos ("Mort. Ed Mort."), que imitam o estilo hard-boiled americano mas em contexto absurdo (baratas roubando máscaras, cliente-in-agenda em branco). A paródia do gênero policial cria o efeito cômico pela incoerência entre o tom sério e a situação ridícula.
UNESPQuestão 02
O conto de Poe (1840) apresenta uma cena de multidão em uma metrópole do século XIX: pessoas com sobrancelhas vincadas, olhos rápidos, sem impaciência após encontrões. Esse conto destaca:
Gabarito: EA cena descreve a multidão anônima da metrópole industrial — pessoas que se empurram sem se olhar, preocupadas apenas com seus próprios caminhos. Isso ilustra a impessoalidade das relações urbanas modernas, característica da sociedade industrial do séc. XIX que originou o gênero policial.
UECEQuestão 03
"As peripécias do historiador em arquivos às vezes se assemelham ao trabalho do detetive em busca de pistas para desvendar um mistério." Considere: I) Sugere que o trabalho de pesquisa histórica é um quebra-cabeças. II) Destaca que indícios e pistas compõem o trabalho do historiador. III) Insinua que o trabalho em arquivos está obsoleto. São corretas:
Gabarito: A (I e II)O texto usa a metáfora do detetive para descrever o trabalho do historiador — ambos lidam com pistas, indícios e tentam reconstruir eventos. III é falsa porque o texto não sugere obsolescência do trabalho em arquivos, apenas o compara ao trabalho detetivesco.
ENEMQuestão 04
Na carta a Sherlock Holmes: "Nosso homem que estava na vigia viu uma luz às duas da manhã saindo de uma casa vazia. [...] Não havia marcas de sangue, nem feridas nele. Não sabemos como ele entrou na casa vazia. Na verdade, todo assunto é um quebra-cabeça sem fim." A sequência de enunciados negativos ("não havia", "não sabemos") tem a função de:
Gabarito: BA carta de Gregson elimina hipóteses: sem marcas de sangue (não foi golpe), sem feridas (não foi arma), entrada desconhecida (não foi arrombamento). Ao negar causas óbvias, o texto cria o enigma central — por que um homem morreu sem causa aparente? — justificando a convocação de Holmes.
PUCCAMPQuestão 05
A escalada da violência urbana encontrou repercussão entre escritores que colocaram no centro de suas obras personagens marginalizadas, agentes e vítimas da desigualdade social. Isso ocorre:
Gabarito: CRubem Fonseca é o principal nome da literatura policial urbana brasileira. Seus contos e romances — protagonizados pelo advogado criminalista Mandrake — retratam o submundo carioca com violência, corrupção e desigualdade social. Obras como Agosto e Bufo & Spallanzani aprofundam essa visão noir do Rio de Janeiro.
UFSMQuestão 06
Assinale a alternativa correta a respeito da ficção de Rubem Fonseca.
Gabarito: ERubem Fonseca é reconhecido pela ficção visceral e violenta, ambientada nos centros urbanos contemporâneos do Brasil — especialmente Rio de Janeiro. Sua prosa ágil e direta explora crimes, marginalidade e a face obscura da sociedade, com linguagem coloquial e brutalmente realista.
PUCRSQuestão 07
No conto de Rubem Fonseca, Zinho (traficante da Cidade de Deus) e Soraia vivem em condomínio de classe média da Barra da Tijuca. Soraia pede que Zinho mate um menino de 7 anos para vingar-se da mãe dele. Leia as afirmativas: I) O nome "Cidade de Deus" e os atos cometidos ali constituem um paradoxo. II) O pedido de Soraia baseia-se em vingança passional relacionada a amor do passado. III) A suavidade dos diálogos faz contraponto com a crueldade das ações de Zinho. IV) Zinho frequenta dois mundos: o paraíso confortável da Barra e o inferno violento da Cidade de Deus. Estão corretas:
Gabarito: ETodas as afirmativas são corretas. I: O nome "Cidade de Deus" contrasta com os crimes brutais ali praticados — ironia típica de Fonseca. II: Soraia guarda o retrato de Rodrigo, seu amor perdido — vingança claramente passional. III: O tom afetivo ("amorzinho") contrasta com a crueldade do crime ordenado. IV: Zinho vive entre dois mundos como personagem ambígua — social e criminalmente cindido.
PUCRSQuestão 08
Sobre o conto "Cidade de Deus" de Rubem Fonseca: I) A maioria dos contos de Fonseca apresenta contexto urbano com violência brutal. II) "Feliz Ano Novo" remete ao encontro de namorados numa praia paradisíaca. III) No conto, a linguagem literária se aproxima da prosa coloquial. A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são:
Gabarito: CI é verdadeira — a violência urbana é marca registrada de Fonseca. III é verdadeira — a linguagem direta e coloquial é característica do estilo hard-boiled brasileiro de Fonseca. II é falsa — "Feliz Ano Novo" é um dos contos mais violentos de Fonseca, retratando um assalto brutal na virada do ano, longe de qualquer idílio.
UFSCQuestão 09
No trecho de Garcia-Roza, o delegado Espinosa visita o ateliê de uma artista. Ele examina pincéis, lápis e tintas com "olhar não policial, mas estético", cita Thomas de Quincey ("o assassinato como bela arte") e diz preferir Melville. São falsas as proposições (some os valores): (01) "Viu-o, da janela, caminhando a passos lentos" — descreve movimento percebido visualmente. (02) "Havia um leve toque de ironia na voz" — percepção visual. (04) "Deteve-se apreciando a mangueira" — percepção visual. (08) "O senhor entende de arte, inspetor?" — é uma fala percebida pelo tato. (16) "Espinosa vagava pela sala olhando atentamente os objetos" — percepção visual/estética.
Gabarito: A (02 + 08 = 10)02 é falsa: "leve toque de ironia na voz" é percepção auditiva, não visual. 08 é falsa: "O senhor entende de arte?" é uma fala — percepção auditiva, não do tato. As demais proposições descrevem corretamente percepções visuais ou de movimento.
UERJQuestão 10 — Dissertativa
O romance O seminarista, de Rubem Fonseca, traz como protagonista um matador de aluguel em 1ª pessoa: "O primeiro que matei foi o porteiro que quis impedir a minha entrada sacando uma arma da cintura." Escreva uma sinopse de um provável romance policial em que o narrador é o investigador dos crimes cometidos por esse matador.
Anterior Índice Próximo