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Capítulo 4

A Literatura na
Belle Époque

Parnasianismo e Simbolismo — a beleza como fim, a forma como obsessão, o mistério como caminho.

Resumo para o Vestibular

O Contexto da Belle Époque (1870–1914)

Período de euforia europeia marcado pela Segunda Revolução Industrial, urbanização acelerada e ascensão da burguesia. No Brasil, chegou com a República e foi mais forte nas capitais — especialmente no Rio de Janeiro, com a Reforma Pereira Passos, a Avenida Central e o estilo art nouveau.

Parnasianismo — A Arte pela Arte

Movimento originado na França (antologias Parnase Contemporain, 1866). No Brasil, predominou de 1880 até a Semana de Arte Moderna (1922).

🔪
Culto da Forma

Sonetos, métrica rígida (decassílabos e alexandrinos), rima rica e precisa — o "cinzel" do poeta.

🗿
Impassibilidade

Objetividade, impessoalidade, negação do sentimentalismo romântico. "Arte sobre a arte".

🏛️
Temas Clássicos

Retomada da Antiguidade greco-latina, mitologia, figuras históricas, temas filosóficos universais.

📐
Metalinguagem

Poesia que fala da própria poesia — "Profissão de fé" de Bilac é o exemplo máximo.

Simbolismo — Sugerir, Não Dizer

Contemporâneo ao Parnasianismo. Manifesto de Jean Moréas (1886). No Brasil, iniciado com Cruz e Sousa (1893).

🎵
Musicalidade

A poesia se aproxima da música. Sons, ritmos e palavras evocam emoções antes de significar racionalmente.

🌫️
Sinestesia

Mistura de sentidos — "ouvir cores", "ver perfumes". Criação de atmosferas vagas e oníreas.

Sublimação

Elevação do espiritual sobre o material. A alma transcende o corpo — presente em Cruz e Sousa e Alphonsus.

💀
Misticismo e Morte

Atmosferas sombrias, presença constante da morte, religiosidade e estados d'alma melancólicos.

⚠️ Cai muito em prova

Comparativo Interativo

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Parnasianismo Brasileiro

OB
Olavo Bilac (1865–1918)

Príncipe dos Poetas (1907). Obras: Poesias, Via Láctea, O caçador de esmeraldas. Fundador da ABL. Campahas cívicas de alfabetização e serviço militar.

FJ
Francisca Júlia (1871–1920)

Publicou Mármores (1895) e Esfinges (1903). Usou todas as características parnasianas com maestria. Muitos duvidaram que fosse mulher pela qualidade técnica.

RC
Raimundo Correia e Alberto de Oliveira

Junto com Bilac, formam a "trindade parnasiana". Correia: pessimismo e reflexão. Oliveira: maior purismo formal da tríade.

"Invejo o ourives quando escrevo:
Imito o amor / Com que ele, em ouro, o alto-relevo / Faz de uma flor."
— Bilac, "Profissão de fé"

Simbolismo Brasileiro

CS
Cruz e Sousa (1861–1898)

Filho de escravizados. Iniciou o Simbolismo no Brasil com Broquéis e Missal (1893). Morreu tuberculoso aos 36 anos, em extrema pobreza. Obra marcada pela sublimação e pelo sofrimento racial.

AG
Alphonsus de Guimaraens (1870–1921)

Mineiro. Obras: Kiriale, Câmara Ardente. Misticismo, devoção a Maria, presença constante da morte. "Ismália" é seu poema mais famoso.

"Quando Ismália enlouqueceu, / Pôs-se na torre a sonhar...
Sua alma subiu ao céu, / Seu corpo desceu ao mar..."
— Alphonsus de Guimaraens, "Ismália"

Parnasianismo × Simbolismo

  • Forma: Parnasianismo = rígida, métrica perfeita | Simbolismo = também formal, mas com liberdade rítmica maior
  • Tema: Parnasianismo = objetividade, Antiguidade clássica | Simbolismo = subjetividade, mistério, morte, além
  • Linguagem: Parnasianismo = precisa, vocabulário erudito | Simbolismo = sugestiva, sinestesias, musicalidade
  • Emoção: Parnasianismo = impassibilidade (sem emoção) | Simbolismo = estados d'alma, melancolia, êxtase
  • Inspiração: Parnasianismo = escultura, ourivesaria | Simbolismo = música, perfume, neblina
  • Relação com o Romantismo: Parnasianismo = reação contrária | Simbolismo = retomada de elementos subjetivos
  • Síntese: Ambos coexistiram (1880–1922) e prezavam a forma — a diferença está na relação com o racional x irracional

Exercícios de Vestibular

PUCPRQuestão 01
O quadro Bal du moulin de la Galette, de Auguste Renoir, retrata uma cena do cotidiano parisiense no final do século XIX. Ao retratar esse período, Renoir também retratou um momento histórico da Europa que ficou conhecido como:
Gabarito: EO Impressionismo de Renoir é uma das expressões artísticas da Belle Époque (1870–1914), período de euforia europeia marcado pelo avanço industrial, urbanização e sofisticação cultural burguesa.
UNICAMPQuestão 02
"O Rio civiliza-se!" — exclamação que irrompe de todos os peitos cariocas. Com base nesse excerto sobre a Belle Époque no Brasil, no início do século XX, é correto afirmar que:
Gabarito: BA Belle Époque carioca foi ambígua: ao mesmo tempo em que modernizava a cidade ao estilo parisiense, expulsava populações pobres dos cortiços e excluía negros e mestiços do novo espaço urbano. O texto ironiza com "civiliza-se" mostrando essa contradição.
UNIOESTEQuestão 03
Sobre os impactos da Segunda Revolução Industrial, citando o surgimento de automóveis, aviões, telefone e outros produtos, é correto afirmar que:
Gabarito: CA Segunda Revolução Industrial transformou os hábitos cotidianos de milhões de pessoas com uma velocidade sem precedentes, gerando novos padrões de consumo, trabalho e percepção do tempo e do espaço.
UECEQuestão 04
O texto sobre a gestão de Pereira Passos descreve proibições de práticas urbanas no Rio de Janeiro: cuspir na rua, vender ambulante, andar descalço. Isso diz respeito:
Gabarito: BA Reforma Pereira Passos (1902–1906) buscou "civilizar" o Rio de Janeiro nos moldes europeus, incluindo uma higienização social que expulsava práticas populares e a população pobre do centro da cidade.
UFJFQuestão 05 — Dissertativa
No final do século XIX e início do XX, os países do Ocidente vivenciaram a Belle Époque, marcada por avanços científicos, tecnológicos e culturais. Cite e analise um dos movimentos artísticos típicos da Belle Époque na Europa.
ENEMQuestão 06
"Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, / ó ser humilde entre os humildes seres, / embriagado, tonto de prazeres, / o mundo para ti foi negro e duro." — Cruz e Sousa. Com uma obra densa no Simbolismo brasileiro, Cruz e Sousa transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade. No soneto, essa percepção traduz-se em:
Gabarito: AO poema retrata um ser que sofreu em silêncio ("ninguém sentiu"), viveu sob condições adversas ("mundo negro e duro") e foi invisível socialmente. Cruz e Sousa, sendo negro em uma sociedade pós-escravocrata, transpõe sua experiência de discriminação para o lirismo simbolista.
ITAQuestão 07
O poema "Violões que choram..." de Cruz e Sousa apresenta "plangentes violões dormentes, mornos, / soluços ao luar, choros ao vento..." Essa característica corresponde a:
Gabarito: EO poema usa sinestesia (mistura de sentidos: audição + visão + tato) para criar uma atmosfera sensorial. "Violões que choram" personifica o instrumento; "soluços ao luar, choros ao vento" misturam sons, luz e movimento — percepção sensorial típica do Simbolismo.
ENEMQuestão 08
"Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! / Criança! não verás nenhum país como este!" — Bilac, "A pátria" (1904). O discurso poético de Bilac ecoa um projeto ideológico da Primeira República, na medida em que:
Gabarito: CBilac usa a metáfora da mãe ("seio de mãe a transbordar carinhos") para criar afeto pela pátria. O poema, publicado no livro Poesias Infantis (1904), instrui as crianças a amarem a terra natal com devoção familiar — estratégia retórica do civismo republicano.
UFUQuestão 09
Sobre o movimento simbolista no Brasil, assinale a alternativa incorreta.
Gabarito: C (incorreta)O Simbolismo brasileiro teve, na realidade, repercussão limitada. Ficou à sombra do Parnasianismo, que dominava o cenário literário da época. Os modernistas de 1922 reagiram principalmente contra o Parnasianismo, não contra o Simbolismo, que era mais obscuro e restrito.
UPEQuestão 10
Com base no "Alma solitária" (Cruz e Sousa) e em "Profissão de fé" (Bilac), que compara o poeta ao ourives, assinale a alternativa correta sobre Simbolismo e Parnasianismo.
Gabarito: E"Profissão de fé" é o manifesto do Parnasianismo brasileiro. A comparação do poeta ao ourives (artesão de joias) sintetiza o culto à forma: assim como o ourives trabalha o ouro com paciência e precisão, o poeta deve lapidar cada verso até a perfeição formal. A metalinguagem serve exatamente para declarar esse princípio estético.
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