O parlamentarismo às avessas, a expansão cafeeira, a Era Mauá, a Lei de Terras e a Revolução Praieira — as transformações internas do reinado de D. Pedro II.
D. Pedro II assumiu o trono aos 14 anos em 1840. As Eleições do Cacete (1840) foram marcadas por fraudes e violência dos liberais. D. Pedro II percebeu o perigo, dissolveu o resultado e nomeou um gabinete moderado.
Os liberais insatisfeitos iniciaram as Rebeliões Liberais de 1842 (SP e MG), rapidamente sufocadas pelo Barão de Caxias. O Segundo Reinado adotou então o chamado parlamentarismo às avessas:
No modelo inglês, o Parlamento nomeia o primeiro-ministro. No Brasil, era o imperador (Poder Moderador) quem nomeava o Conselho de Ministros → que convocava eleições → que formava a Câmara. Quem governava era o imperador, não o Parlamento.
Entre 1853–1868, o marquês do Paraná criou o período de Conciliação, unindo conservadores e liberais em um mesmo gabinete — mas com atitudes sempre conservadoras na prática.
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O café chegou ao Brasil por volta de 1727 e se expandiu do Pará para o Rio de Janeiro, depois para o Vale do Paraíba e, por fim, para o Oeste Paulista — onde o clima e a terra roxa favoreciam a produção.
Com o fim do tráfico negreiro, o senador Nicolau Vergueiro introduziu o sistema de parceria: o fazendeiro pagava a viagem do imigrante, que devolvia em trabalho. Fracassou — capatazes tratavam imigrantes como escravizados; o suíço Thomas Davatz documentou os abusos em Memórias de um Colono no Brasil (1858). O sistema foi substituído pelo colonato (terra + salário fixo), adotado no Oeste Paulista.
A Tarifa Alves Branco (1844) elevou impostos sobre importados (30–60%), abrindo espaço para a indústria nacional. Com o fim do tráfico negreiro (1850), capitais antes investidos no comércio de escravizados foram redirecionados à indústria.
Irineu Evangelista de Sousa (Barão de Mauá) foi o maior empreendedor do Império:
A Lei de Terras (1850) proibiu a aquisição de terras públicas por outro meio que não a compra e exigiu o registro legal das propriedades. Na prática, consolidou o latifúndio — impediu que escravizados libertos, imigrantes pobres e camponeses sem dinheiro tivessem acesso à terra.
A concentração fundiária brasileira tem raízes diretas na Lei de 1850. Dados do INCRA mostram que 0,7% das propriedades ocupam quase 50% da área rural do país.
Em Pernambuco, o declínio do açúcar e o monopólio comercial de portugueses geraram descontentamento. O Manifesto ao Mundo (1849) reivindicava: voto universal, liberdade de imprensa, direito ao trabalho, fim do Poder Moderador e do Senado vitalício.
Apesar do caráter reformista, não incluiu abolição da escravidão — muitos líderes eram proprietários. A revolta foi reprimida e D. Pedro II anistiou os presos em 1852.
«Voto livre e universal; liberdade de imprensa; trabalho como garantia de vida para o cidadão brasileiro; comércio a retalho só para os brasileiros.»
Manifesto ao Mundo — Partido Liberal Praieiro, 18493. Em que ano começou a Revolução Francesa?