Relações Interespecíficas Harmônicas
CAP 5Relação em que ambas as espécies se beneficiam e a interação é obrigatória para ao menos uma delas (não sobrevivem separadas).
- Liquens: fungo + alga/cianobactéria. O fungo extrai carboidratos e compostos nitrogenados da alga; a alga obtém micro-hábitat adequado com água e nutrientes. Separados, ambos morrem.
- Polinização: planta fornece néctar → polinizador (inseto, beija-flor, morcego) transporta pólen. Sem polinização, angiospermas entram em declínio.
- Micorrizas: fungos nas raízes das plantas → aumentam absorção de nutrientes; fungo recebe carboidratos
- Bactérias do rúmen: bactérias no estômago de ruminantes que digerem celulose; obtêm nutrientes e abrigo em troca
Relação benéfica para ambos, mas facultativa: ambas as espécies conseguem sobreviver separadamente.
- Caranguejo-paguro + anêmona-do-mar: anêmona protege o caranguejo com tentáculos urticantes; caranguejo amplia a área de coleta de alimentos da anêmona. Ambos sobrevivem separados.
- Aves + capivaras: aves usam capivaras como poleiro, para afugentar presas, como atratores de moscas ou para comer carrapatos. Capivaras se beneficiam do controle de ectoparasitas. Ambos sobrevivem sozinhos.
Uma espécie se beneficia (especialmente obtendo alimento) e a outra não é beneficiada nem prejudicada.
- Rêmora + tubarão: rêmora se fixa ao tubarão (ventosa) e come os restos. O tubarão não é afetado.
- Peixe-piloto + tubarão: nada próximo, come restos, fica protegido de predadores pela presença do tubarão.
Uma espécie obtém proteção, abrigo ou suporte físico da outra, que não é afetada.
- Peixe fierásfer + pepino-do-mar: vive no interior do pepino; sai para se alimentar e retorna
- Epifitismo: bromélias, orquídeas, samambaias crescem sobre troncos de árvores — obtêm suporte físico, não prejudicam a árvore (realizam fotossíntese própria)
- Cracas + moluscos: crustáceos que vivem sobre conchas sem causar malefícios
- Diferença do parasitismo: o inquilino não causa dano ao hospedeiro
Relações Interespecíficas Desarmônicas
Espécies diferentes disputam os mesmos recursos limitados. Ambas sofrem redução de sobrevivência, crescimento e reprodução.
- Ocorre quando nichos ecológicos são iguais ou muito semelhantes
- Geralmente assimétrica: uma população é mais prejudicada
- Consequências: exclusão de uma espécie (Princípio de Gause) ou diferenciação de nicho (coexistência)
- Ex: esquilos-cinzentos (invasores) × esquilos-vermelhos (nativos) — extinção local dos vermelhos
Um organismo (predador) consome outro vivo (presa). Predador beneficiado (+), presa prejudicada (–).
- Regula densidades populacionais de presas e predadores
- Herbivoria: tipo de predação quando a planta inteira é consumida. Se só parte da planta é comida → pastagem (planta não morre)
- Anta comendo partes de plantas = pastagem; gafanhoto destruindo planta inteira = predação
- Para a população de presas: sobreviventes têm menos competição por recursos
Parasita vive à custa do hospedeiro, extraindo nutrientes e causando prejuízo. Geralmente não mata o hospedeiro (dependência).
- Relação íntima, duradoura, obrigatória para o parasita
- Ectoparasitas: vivem fora do hospedeiro (ex: piolho, carrapato)
- Endoparasitas: vivem dentro do hospedeiro (ex: lombriga, Plasmodium)
- Macroparasitas: visíveis a olho nu (ex: solitária)
- Microparasitas: microscópicos (ex: vírus, bactérias, protozoários)
- Ex: cipó-chumbo parasita plantas; piolho parasita humanos
- Maior densidade populacional → transmissão mais fácil
Uma espécie (inibidora) libera substâncias que matam ou inibem a outra (amensal). A inibidora não obtém vantagem.
- Maré vermelha: dinoflagelados proliferam → liberam toxinas que matam peixes; dinoflagelados sem benefício/prejuízo
- Fungos × bactérias: fungo Penicillium libera substâncias que inibem bactérias → base dos antibióticos (ex: penicilina)
- Diferença do predatismo: o inibidor não consome o outro — só o prejudica por substâncias
Checklist de Revisão
Tabela Geral — Relações Interespecíficas
RESUMÃO| RELAÇÃO | TIPO | SÉC. A | SÉC. B | OBRIG.? | EXEMPLO |
|---|---|---|---|---|---|
| Mutualismo | Harmônica | + | + | Sim (ao menos 1) | Liquens, polinização, micorriza |
| Protocooperação | Harmônica | + | + | Não (facultativo) | Caranguejo-paguro + anêmona |
| Comensalismo | Harmônica | + | 0 | Não | Rêmora + tubarão |
| Inquilinismo | Harmônica | + | 0 | Não | Bromélia + árvore (epifitismo) |
| Competição | Desarmônica | – | – | — | Esquilos cinzentos vs vermelhos |
| Predação | Desarmônica | + | – | — | Leão + zebra; joaninha + pulgão |
| Parasitismo | Desarmônica | + | – | Sim (parasita) | Carrapato + cão; Plasmodium + humano |
| Amensalismo | Desarmônica | 0 | – | — | Penicillium + bactéria; maré vermelha |
- Liquens = mutualismo (obrigatório — ambos morrem separados)
- Caranguejo-paguro + anêmona = protocooperação (ambos sobrevivem separados)
- Bromélia em árvore = inquilinismo / epifitismo (não é parasitismo — a bromélia faz fotossíntese própria!)
- Rêmora = comensalismo (objetivo: alimento); Bromélia = inquilinismo (objetivo: suporte físico/abrigo)
- Penicilina vem de amensalismo entre fungo Penicillium e bactérias
- Parasita geralmente não mata o hospedeiro (morreria junto)
- Herbivoria ≠ pastagem: herbivoria mata a planta; pastagem não
- Microvespa Trichogramma sp. (controle biológico) = parasita de ovos de borboleta
Princípio da Exclusão Competitiva
GEORGY GAUSEO ecólogo russo Georgy Gause (1910–1986) cultivou separadamente e juntas as espécies Paramecium aurelia e Paramecium caudatum.
- Separados: ambas as populações cresceram normalmente
- Juntos: apenas P. aurelia cresceu — ela aproveitava melhor o alimento disponível e excluiu P. caudatum
- Conclusão: quando duas espécies ocupam o mesmo nicho ecológico e os recursos são escassos, uma delas será eliminada por competição
"Duas espécies podem ter o mesmo hábitat, mas não podem ocupar o mesmo nicho ecológico. Se ocuparem o mesmo nicho e os recursos forem escassos, uma delas será eliminada por competição."
- Também chamado de Princípio de Gause
- Alternativa à exclusão: as espécies podem coexistir por diferenciação de nicho (divisão de recursos)
- Explica por que espécies invasoras prejudicam nativas: ocupam o mesmo nicho e excluem as nativas
- 41 espécies invasoras de peixes nos rios da Amazônia (Brasil é 2° mais afetado)
- Invasoras competem com nativas pelos mesmos recursos → exclusão competitiva das nativas
- Também transportam microrganismos parasitas desconhecidos pelas nativas (sem defesas imunes)
- Esquilos-cinzentos (invasores EUA) × esquilos-vermelhos (nativos Europa) — os vermelhos foram excluídos da maioria do Reino Unido
| SITUAÇÃO | RESULTADO | PRINCÍPIO |
|---|---|---|
| P. aurelia + P. caudatum (mesmo nicho) | P. caudatum é excluído | Exclusão Competitiva |
| Espécies com nichos ligeiramente diferentes | Coexistência por diferenciação de nicho | Coexistência |
| Espécie invasora + espécie nativa (mesmo nicho) | Nativa é excluída localmente | Exclusão Competitiva |
Flashcards
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