Ex.: "Os operadores do Direito são profissionais da comunicação. Eles levam a cabo a exteriorização das normas."
Ex.: "Era o que ele estudava." — o pronome "o" antecipa o referente que só será revelado a seguir.
| Tipo | Como ocorre | Exemplo |
|---|---|---|
| Por pronome pessoal | Substitui o substantivo para evitar repetição | "Os advogados peticionaram. Eles foram ouvidos." |
| Por pronome demonstrativo | Retoma ou antecipa segmentos textuais | "Isso tudo demonstra a complexidade da lei." |
| Por sinônimo / hiperônimo | Substitui por termo de sentido relacionado | "tortura [...] suplício [...] supremo opróbrio" |
| Por elipse | Omissão do referente já conhecido | "João chegou cedo. [João] Estudou a noite toda." |
| Por pronome relativo | Retoma e introduz oração adjetiva | "O texto que você leu trata de referenciação." |
São expressões que estabelecem relações lógicas entre partes do texto:
Adição: além disso, também, igualmente
Oposição: entretanto, porém, no entanto, todavia
Conclusão: portanto, logo, por conseguinte
Explicação: ou seja, isto é, a saber
Causa: pois, porque, já que, visto que
"Ao compulsar o vernáculo neste tomo, tu encontras retidão na sentença ora presente à frente de teu órgão de visão."
Exemplo de juridiquês — tradução: "Neste livro, você encontra palavras organizadas enquanto o lê."
O excesso de termos técnicos nos documentos jurídicos torna a linguagem inacessível. Além do vocabulário difícil, o uso inadequado de pronomes gera ambiguidade:
"[...] o Ministério e o Conanda reafirmam seu compromisso em desenvolver políticas [...]"
O pronome seu pode se referir tanto ao compromisso do Ministério e do Conanda quanto ao compromisso do leitor. Pronomes ambíguos interrompem a comunicação.
Quando um termo é substituído por anáforas ao longo do texto, a ordem em que aparecem pode ter intenção argumentativa. Exemplo do texto de Elio Gaspari:
tortura → suplício → supremo opróbrio
Essa progressão não é aleatória — indica gradação avaliativa crescente, intensificada pelo adjetivo "supremo". Trocar a ordem desfaria o efeito argumentativo.
| Tipo | O referente está... | Exemplo |
|---|---|---|
| Intratextual | Dentro do próprio texto | "Os cães latiam. Eles assustaram os vizinhos." — "eles" = os cães, no texto. |
| Extratextual | Fora do texto (no contexto) | "Nunca vi tantos cães no Rio, e presumo que muita gente anda com eles..." — "eles" remete a cães mencionados na oração anterior, fora do segmento destacado. |
Verbos como poder, dever, parecer modalizaram o discurso — expressam probabilidade, possibilidade ou hipótese em vez de certeza. Suprimi-los alteraria o sentido:
"A tecnologia brasileira parece ser de fácil adaptabilidade" ≠ "A tecnologia brasileira é de fácil adaptabilidade"
O "parece" indica que o enunciador assume o conteúdo com reservas, não como fato absoluto.
O que é anáfora?
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Referência a algo já mencionado no texto (retomada). O pronome ou expressão aponta para um antecedente que veio antes no texto.
O que é catáfora?
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Referência a algo que ainda vai ser dito (antecipação). O pronome ou expressão aponta para um referente que virá depois no texto.
Como pronomes demonstrativos funcionam na coesão?
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Podem retomar (anáfora) ou antecipar (catáfora) segmentos textuais. Ex.: "É sobre isso que..." = retoma toda a discussão anterior.
Por que o pronome "seu" pode ser problemático?
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Pode remeter a diferentes referentes (3ª pessoa), gerando ambiguidade. Ex.: "O Ministério e o Conanda reafirmam seu compromisso" — compromisso de quem?
O que são organizadores textuais?
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Expressões que estabelecem relações lógicas entre partes do texto: adição (além disso), oposição (entretanto), conclusão (portanto), explicação (ou seja), causa (pois).
O que são verbos modalizadores?
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Verbos como poder, dever, parecer que expressam probabilidade, possibilidade ou hipótese. Indicam a relação do falante com o conteúdo — se assume com certeza ou com reservas.
Qual a diferença entre referência intratextual e extratextual?
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Intratextual: o referente está dentro do próprio texto. Extratextual: o referente está fora do segmento analisado ou depende do contexto comunicativo.
Por que a ordem das anáforas pode importar?
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Pode refletir intenção argumentativa. Ex.: tortura → suplício → supremo opróbrio. A progressão revela gradação avaliativa — trocar a ordem desfaria o efeito argumentativo.
1. "O autor é quem escreve, mas o livro é de quem lê, e isso de uma forma muito mais abrangente [...]"
2. "Dias atrás gravei um comercial de rádio em prol do Instituto Estadual do Livro em que falo aos leitores exatamente isso [...]"
3. "[...] as coisas em seu devido lugar, mesmo que para isso tenha roubado o livro de uma garota sem perceber."
II. O "isso" de "além disso" (ref.3) refere-se à oração "Estes apenas esforçam-se pela vida", resumindo-a.
III. O substantivo "realidade" (ref.4) não é retomado por nenhuma anáfora.
Está correto o que se diz apenas em:
"A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? [...] Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país."
2º §: "Como se ela restituísse, através de um uso específico da língua, a integridade entre nome e coisa"
5º §: "Pode ser que essas suposições tenham algo de utópico"
6º §: "não numa partícula verbal externa a elas"
7º §: "No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas"
"Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano [...]
Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior."
"Era o que ele estudava. 'A estrutura, quer dizer, a estrutura' – ele repetia e abria as mãos branquíssimas ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso porque uma bolha de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho."
I. Substituição de "pois" (causa/explicação) por "entretanto" (oposição).
II. Substituição de "assim como" por "bem como" (ambos indicam adição/comparação).
III. Substituição de "portanto" por "por conseguinte" (ambos indicam conclusão/consequência).
"[...] ligações que ¹poderão ter efeitos importantes [...] a tecnologia brasileira ²parece ser de fácil adaptabilidade [...] modelo que ³pode ajudar a reunir os dois lados do Atlântico [...] O Banco Mundial ⁴poderia contribuir para a superação desses obstáculos [...]"
"O que torna a tortura atraente é o fato de que ela funciona. [...] a tortura pressiona a confissão e triunfa [...] Essa é a hipérbole virtuosa do torturador. Assemelha-se ao ato cirúrgico [...] A teoria da funcionalidade da tortura baseia-se numa confusão entre interrogatório e suplício. [...] O 'supremo opróbrio' é cometido pelo torturador, não pelo preso."
I. Os três vocábulos estão em ordem aleatória — a ordem poderia ser mudada sem prejudicar o texto.
II. A ordem indica intenção argumentativa; o adjetivo "supremo" intensifica esse cunho argumentativo.
III. O vocábulo "supremo" modaliza o discurso — o enunciador assume totalmente o conteúdo do que diz.
Está correto o que se afirma em: