Analisador de Texto

Cole um texto e analise-o.

Capítulo 5

Referenciação e Coesão Textual

Como os elementos textuais se referem a outros termos por meio de anáfora e catáfora, garantindo a progressão temática e a coesão do texto — inclusive no juridiquês.

🔗 Referenciação⬅️ Anáfora➡️ Catáfora📜 Coesão⚖️ Juridiquês🔄 Organizadores Textuais
O que é Referenciação?
⬅️
Anáfora
Refere-se a algo já mencionado no texto (retomada). O pronome ou expressão aponta para um antecedente que veio antes.

Ex.: "Os operadores do Direito são profissionais da comunicação. Eles levam a cabo a exteriorização das normas."
➡️
Catáfora
Refere-se a algo que ainda vai ser dito (antecipação). O pronome ou expressão aponta para um referente que virá depois.

Ex.: "Era o que ele estudava." — o pronome "o" antecipa o referente que só será revelado a seguir.
Tipos de Referenciação
TipoComo ocorreExemplo
Por pronome pessoalSubstitui o substantivo para evitar repetição"Os advogados peticionaram. Eles foram ouvidos."
Por pronome demonstrativoRetoma ou antecipa segmentos textuais"Isso tudo demonstra a complexidade da lei."
Por sinônimo / hiperônimoSubstitui por termo de sentido relacionado"tortura [...] suplício [...] supremo opróbrio"
Por elipseOmissão do referente já conhecido"João chegou cedo. [João] Estudou a noite toda."
Por pronome relativoRetoma e introduz oração adjetiva"O texto que você leu trata de referenciação."
Organizadores Textuais
🔄 Conectivos e progressão textual

São expressões que estabelecem relações lógicas entre partes do texto:

Adição: além disso, também, igualmente
Oposição: entretanto, porém, no entanto, todavia
Conclusão: portanto, logo, por conseguinte
Explicação: ou seja, isto é, a saber
Causa: pois, porque, já que, visto que

✅ Checklist
O Juridiquês e a Referenciação

"Ao compulsar o vernáculo neste tomo, tu encontras retidão na sentença ora presente à frente de teu órgão de visão."

Exemplo de juridiquês — tradução: "Neste livro, você encontra palavras organizadas enquanto o lê."

⚖️ O problema do juridiquês

O excesso de termos técnicos nos documentos jurídicos torna a linguagem inacessível. Além do vocabulário difícil, o uso inadequado de pronomes gera ambiguidade:

"[...] o Ministério e o Conanda reafirmam seu compromisso em desenvolver políticas [...]"

O pronome seu pode se referir tanto ao compromisso do Ministério e do Conanda quanto ao compromisso do leitor. Pronomes ambíguos interrompem a comunicação.

Anáfora como Recurso Argumentativo
📈 A ordem das anáforas importa

Quando um termo é substituído por anáforas ao longo do texto, a ordem em que aparecem pode ter intenção argumentativa. Exemplo do texto de Elio Gaspari:

torturasuplíciosupremo opróbrio

Essa progressão não é aleatória — indica gradação avaliativa crescente, intensificada pelo adjetivo "supremo". Trocar a ordem desfaria o efeito argumentativo.

Classes Gramaticais como Elementos Coesivos
👤
Pronomes Pessoais
Retomam substantivos para evitar repetição. Ex.: "Os operadores do Direito são profissionais. Eles levam a cabo as normas jurídicas." — "eles" = referência anafórica a "os operadores".
👉
Pronomes Demonstrativos
Além da remissão, indicam posição no texto. Isso/isto/aquilo podem retomar ou antecipar segmentos inteiros — ex.: "É sobre isso que a pessoa quer falar" retoma toda a discussão anterior.
🔢
Numerais e Advérbios
Podem funcionar como elementos de referência. Ex.: "Artistas e artesãos expõem ali aos domingos" — "ali" retoma o espaço da feira mencionado anteriormente.
🔗
Pronomes Relativos
Retomam um referente e introduzem oração adjetiva. Ex.: "O resultado é uma sujeira múltipla, que exige cuidado do pedestre" — "que" retoma "sujeira múltipla".
Referência Intratextual vs. Extratextual
TipoO referente está...Exemplo
IntratextualDentro do próprio texto"Os cães latiam. Eles assustaram os vizinhos." — "eles" = os cães, no texto.
ExtratextualFora do texto (no contexto)"Nunca vi tantos cães no Rio, e presumo que muita gente anda com eles..." — "eles" remete a cães mencionados na oração anterior, fora do segmento destacado.
Modalização pelo Verbo
🎚️ Verbos modalizadores

Verbos como poder, dever, parecer modalizaram o discurso — expressam probabilidade, possibilidade ou hipótese em vez de certeza. Suprimi-los alteraria o sentido:

"A tecnologia brasileira parece ser de fácil adaptabilidade" ≠ "A tecnologia brasileira é de fácil adaptabilidade"

O "parece" indica que o enunciador assume o conteúdo com reservas, não como fato absoluto.

🎮 Quiz Rápido
0
pontos  •  0/10 perguntas
Pronto para testar seus conhecimentos sobre referenciação?
🃏 Flashcards — Clique para revelar

O que é anáfora?

toque para ver

Referência a algo já mencionado no texto (retomada). O pronome ou expressão aponta para um antecedente que veio antes no texto.

O que é catáfora?

toque para ver

Referência a algo que ainda vai ser dito (antecipação). O pronome ou expressão aponta para um referente que virá depois no texto.

Como pronomes demonstrativos funcionam na coesão?

toque para ver

Podem retomar (anáfora) ou antecipar (catáfora) segmentos textuais. Ex.: "É sobre isso que..." = retoma toda a discussão anterior.

Por que o pronome "seu" pode ser problemático?

toque para ver

Pode remeter a diferentes referentes (3ª pessoa), gerando ambiguidade. Ex.: "O Ministério e o Conanda reafirmam seu compromisso" — compromisso de quem?

O que são organizadores textuais?

toque para ver

Expressões que estabelecem relações lógicas entre partes do texto: adição (além disso), oposição (entretanto), conclusão (portanto), explicação (ou seja), causa (pois).

O que são verbos modalizadores?

toque para ver

Verbos como poder, dever, parecer que expressam probabilidade, possibilidade ou hipótese. Indicam a relação do falante com o conteúdo — se assume com certeza ou com reservas.

Qual a diferença entre referência intratextual e extratextual?

toque para ver

Intratextual: o referente está dentro do próprio texto. Extratextual: o referente está fora do segmento analisado ou depende do contexto comunicativo.

Por que a ordem das anáforas pode importar?

toque para ver

Pode refletir intenção argumentativa. Ex.: tortura → suplício → supremo opróbrio. A progressão revela gradação avaliativa — trocar a ordem desfaria o efeito argumentativo.

📝 Questões de Vestibular
Q1Escola Naval
Fragmentos:
1. "O autor é quem escreve, mas o livro é de quem lê, e isso de uma forma muito mais abrangente [...]"
2. "Dias atrás gravei um comercial de rádio em prol do Instituto Estadual do Livro em que falo aos leitores exatamente isso [...]"
3. "[...] as coisas em seu devido lugar, mesmo que para isso tenha roubado o livro de uma garota sem perceber."
As palavras destacadas possuem, respectivamente, valores:
Aanafórico, anafórico, catafórico.
Bcatafórico, anafórico, catafórico.
Ccatafórico, anafórico, anafórico.
Danafórico, catafórico, anafórico.
Ecatafórico, catafórico, anafórico.
Fragmento 1: "isso" tem valor catafórico — aponta para a ideia que vem depois ("de uma forma mais abrangente"). Fragmento 2: "isso" tem valor anafórico — retoma o que foi dito no comercial. Fragmento 3: "isso" tem valor anafórico — retoma a ação de colocar as coisas em seu lugar. Portanto: catafórico, anafórico, anafórico.
Q2UFRJ
Assinale a alternativa em que o antecedente do termo destacado não está localizado no mesmo segmento destacado (referência extratextual ao segmento).
A"...eis que ele abre a caixa e de lá puxa a arma".
B"Artistas e artesãos expõem ali aos domingos, e vendem suas coisas".
C"O resultado é uma sujeira múltipla, que exige cuidado do pedestre...".
D"Enfim, o fato é que a feira funcionava, muita gente comprava coisas...".
E"Nunca vi tantos cães no Rio, e presumo que muita gente anda com eles...".
Em E, o pronome "eles" retoma "cães" — que está na oração anterior ("tantos cães no Rio"), fora do segmento destacado. Nas demais alternativas, os referentes se encontram dentro do mesmo segmento em destaque.
Q3UECE
"Diante da natureza, o homem – animal racional – não age como ¹os animais inferiores. ²Estes apenas esforçam-se pela vida. O homem, ³além disso, esforça-se por entender a natureza e, embora sua inteligência seja dotada de limitações, tenta sempre dominar a ⁴realidade, agir sobre ela para torná-la mais adequada às suas necessidades."A. Guilherme Galliano, O método científico (adaptado)
I. O pronome "Estes" (ref.2) aponta para "os animais inferiores" (ref.1).
II. O "isso" de "além disso" (ref.3) refere-se à oração "Estes apenas esforçam-se pela vida", resumindo-a.
III. O substantivo "realidade" (ref.4) não é retomado por nenhuma anáfora.

Está correto o que se diz apenas em:
AI e II.
BII e III.
CI.
DIII.
Apenas I é verdadeiro: "Estes" (ref.2) retoma anaforizando "os animais inferiores" (ref.1). O item II é falso: "além disso" é organizador aditivo, não resumo da oração anterior. O item III é falso: "realidade" é retomada pela anáfora "ela" ("agir sobre ela para torná-la...") logo em seguida no texto.
Q4UNICAMP
Fernanda Young — Bando de cafonas (O Globo, 2019, adaptado):
"A Amazônia em chamas, a censura voltando, a economia estagnada, e a pessoa quer falar de quê? [...] Existe algo mais brega do que um rico roubando? Algo mais chique do que um pobre honesto? É sobre isso que a pessoa quer falar, apesar de tudo que está acontecendo. Porque só o bom gosto pode salvar este país."
Em relação aos recursos de coesão usados na construção do texto, é correto afirmar que:
AA "economia estagnada" é retomada no uso da expressão "dar carteiradas".
BO uso de "isso", no final do texto, retoma as ideias de cafonice e honestidade desenvolvidas ao longo do texto.
C"Apesar de tudo", ao fim do texto, retoma o que a autora denomina "império da cafonice".
DO "porque", na penúltima linha, explica que o país precisa do bom gosto dos cafonas.
"Isso" em "É sobre isso que a pessoa quer falar" retoma anaforicamente as ideias de cafonice e honestidade desenvolvidas ao longo da crônica — especialmente as perguntas retóricas que as antecedem diretamente: "um rico roubando" (cafonice) e "um pobre honesto" (honestidade).
Q5UERJ
Arnaldo Antunes — A origem da poesia (trecho). Fragmentos em análise:
2º §: "Como se ela restituísse, através de um uso específico da língua, a integridade entre nome e coisa"
5º §: "Pode ser que essas suposições tenham algo de utópico"
6º §: "não numa partícula verbal externa a elas"
7º §: "No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam nossa relação com as coisas"
Na coesão textual, ocorre catáfora quando um termo se refere a algo que ainda vai ser enunciado na frase. Um exemplo em que o termo destacado constrói uma catáfora é:
A"Como se ela restituísse" — o pronome "ela" refere-se à linguagem já mencionada. (2º §)
B"Pode ser que essas suposições tenham algo de utópico" — "essas" retoma o parágrafo anterior. (5º §)
C"não numa partícula verbal externa a elas" — "elas" retoma as palavras mencionadas antes. (6º §)
D"No seu estado de língua, no dicionário, as palavras intermedeiam" — "seu" antecipa "as palavras", que vem depois na frase. (7º §)
No 7º parágrafo, o pronome possessivo "seu" aparece antes de "as palavras", seu referente. O pronome antecipa o substantivo que vem depois na mesma frase, caracterizando catáfora. Nas demais alternativas, os pronomes retomam referentes que já apareceram (anáfora).
Q6ENEM
Lya Luft — Pensar é transgredir (trecho):
"Muito do que gastamos (e nos desgastamos) nesse consumismo feroz podia ser negociado com a gente mesmo: uma hora de alegria em troca daquele sapato. Uma tarde de amor em troca da prestação do carro do ano [...]
Sapato e roupa simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior."
Nesse texto, há duas ocorrências de dois-pontos. Na primeira, anunciam uma enumeração. Na segunda, introduzem uma:
AOpinião sobre o uso de jeans, camiseta e mocassins.
BExplicação sobre o que sapato e roupa simbolizam além de si mesmos.
CConclusão acerca da oposição entre otimismo e realidade.
DComparação entre ostentação e conforto em termos de vestuário.
ERetomada da ideia de negociação discutida no primeiro parágrafo.
Os dois-pontos em "simbolizam bem mais do que isso que são: representam uma escolha de vida, uma postura interior" introduzem uma explicação do que os objetos simbolizam além de sua função material. O que vem depois dos dois-pontos esclarece e detalha a afirmação anterior — recurso de coesão explicativa.
Q7FUVEST
Lygia Fagundes Telles — A estrutura da bolha de sabão (trecho inicial):
"Era o que ele estudava. 'A estrutura, quer dizer, a estrutura' – ele repetia e abria as mãos branquíssimas ao esboçar o gesto redondo. Eu ficava olhando seu gesto impreciso porque uma bolha de sabão é mesmo imprecisa, nem sólida nem líquida, nem realidade nem sonho."
Sobre o início do conto, qual afirmação está correta?
AO excerto recorre a pronomes pessoais utilizados antes da apresentação de seus referentes, gerando expectativa na leitura — uso catafórico.
BOs pronomes pessoais sempre aparecem após seus referentes no texto, caracterizando apenas anáfora.
CO texto não apresenta nenhum recurso de coesão textual identificável.
DA ausência de referentes explícitos nas primeiras linhas compromete a coerência do texto.
O conto começa com "Era o que ele estudava" — os pronomes "o" e "ele" aparecem sem que os referentes tenham sido apresentados. Isso cria expectativa e suspense no leitor, que precisa continuar lendo para descobrir quem é "ele" e o que "era". Esse uso antecipado do pronome é uma forma de catáfora intencional — recurso literário da autora.
Q8UFRGS
Considere as substituições propostas em um texto sobre políticas linguísticas:
I. Substituição de "pois" (causa/explicação) por "entretanto" (oposição).
II. Substituição de "assim como" por "bem como" (ambos indicam adição/comparação).
III. Substituição de "portanto" por "por conseguinte" (ambos indicam conclusão/consequência).
Qual(is) substituição(ões) preservaria(m) o sentido e a correção do segmento?
AApenas I.
BApenas II.
CApenas III.
DApenas II e III.
EI, II e III.
"Assim como" e "bem como" são expressões aditivas equivalentes (II ✓). "Portanto" e "por conseguinte" exprimem conclusão/consequência (III ✓). Substituir "pois" (causa/explicação) por "entretanto" (oposição) alteraria completamente a relação lógica estabelecida entre as orações (I ✗). Logo, apenas II e III.
Q9UEG
Brasil e África Subsaariana: parceria Sul-Sul para o crescimento (Banco Mundial/IPEA, adaptado):
"[...] ligações que ¹poderão ter efeitos importantes [...] a tecnologia brasileira ²parece ser de fácil adaptabilidade [...] modelo que ³pode ajudar a reunir os dois lados do Atlântico [...] O Banco Mundial ⁴poderia contribuir para a superação desses obstáculos [...]"
Com relação aos itens "poderão" (1), "parece" (2), "pode" (3), "poderia" (4), nota-se que:
AEles apresentam valor apenas estilístico e poderiam ser suprimidos sem prejuízo de sentido.
BTêm valor expressivo mas poderiam ser suprimidos sem alterar o sentido das frases.
CSua função é aumentar o grau de certeza dos enunciados.
DSua presença tem valor modalizador; suprimi-los alteraria o sentido das frases onde ocorrem.
Os verbos "poderão", "parece", "pode", "poderia" têm função modalizadora — expressam probabilidade, possibilidade ou hipótese em vez de certeza absoluta. Suprimi-los transformaria as afirmações em certezas, o que alteraria a intenção argumentativa do texto, que trata de relações ainda em desenvolvimento.
Q10UECE
Elio Gaspari — A ditadura escancarada (adaptado):
"O que torna a tortura atraente é o fato de que ela funciona. [...] a tortura pressiona a confissão e triunfa [...] Essa é a hipérbole virtuosa do torturador. Assemelha-se ao ato cirúrgico [...] A teoria da funcionalidade da tortura baseia-se numa confusão entre interrogatório e suplício. [...] O 'supremo opróbrio' é cometido pelo torturador, não pelo preso."
A palavra tortura é substituída por suplício e supremo opróbrio (anáforas). Observe:
I. Os três vocábulos estão em ordem aleatória — a ordem poderia ser mudada sem prejudicar o texto.
II. A ordem indica intenção argumentativa; o adjetivo "supremo" intensifica esse cunho argumentativo.
III. O vocábulo "supremo" modaliza o discurso — o enunciador assume totalmente o conteúdo do que diz.

Está correto o que se afirma em:
AI, II e III.
BII e III, apenas.
CI e III, apenas.
DI e II, apenas.
O item I é falso: a ordem dos vocábulos (tortura → suplício → supremo opróbrio) não é aleatória — há gradação argumentativa intencional que seria prejudicada com mudança de ordem. Os itens II e III são verdadeiros: a progressão revela intenção argumentativa, e "supremo" (= que está no limite máximo) modaliza o discurso expressando comprometimento total do enunciador com o que afirma.
← Cap 4Cap 6 →
VESTIBULAR • SINTAXE

3. Identifique a alternativa com erro de concordância verbal:

GABARITO A: Deveria ser "chegaram" (plural) pois há dois sujeitos
Anterior Índice Próximo