A língua como fenômeno vivo: como o português mudou ao longo dos séculos, o Acordo Ortográfico, a lusofonia e as diferenças entre o português do Brasil e de Portugal.
🌍 Lusofonia📜 Acordo Ortográfico🗣️ Variação🇧🇷 Identidade📖 Machado de Assis
A Língua Portuguesa como Fenômeno Vivo
🌍
Língua é fenômeno social
As línguas mudam com o tempo por influências sociais, culturais e históricas. O português falado hoje é muito diferente do galego-português medieval das cantigas trovadorescas.
✍️
Mudanças naturais e artificiais
Natural: "vamos em boa hora" → "vamos embora" → "vambora" (pela oralidade). Artificial: Acordo Ortográfico — decisão deliberada sobre grafia de palavras.
📜 Acordo Ortográfico
Assinado em 1990 pelos países lusófonos, entrou em vigor no Brasil em 2016. Uniformiza ortografia entre países que falam português, mas não elimina diferenças de vocabulário, pronúncia e sintaxe.
Linha do Tempo: Evolução do Português
Séc. XIII–XVI — Galego-Português
Língua das cantigas trovadorescas. Falado na Península Ibérica. Base do português moderno.
Séc. XVI–XIX — Português Colonial
Chegada ao Brasil. Contato com línguas indígenas (tupi-guarani) e africanas. Surgimento de variantes brasileiras.
Séc. XIX–XX — Português Brasileiro
Imigração europeia e asiática. Industrialização. Urbanização. Divergência crescente do português europeu.
Séc. XXI — Português Global
Tecnologia digital. Anglicismos. Acordo Ortográfico (2016). Debates sobre identidade linguística brasileira.
✅ Checklist
Países Lusófonos e Variação
🌐 Lusofonia
Os países de língua oficial portuguesa são: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste. Juntos somam mais de 250 milhões de falantes.
🇧🇷
Português Brasileiro
Influenciado por línguas indígenas, africanas e imigrantes. Maior informalidade nos pronomes ("você" predomina sobre "tu" e "vós"). Entonação e vocabulário próprios.
🇵🇹
Português Europeu
Maior rigor formal nos pronomes e colocação. "Tu" é muito mais usado. Formas de tratamento hierárquicas (chamar doutor de "você" é considerado indelicado).
O Texto como Documento Histórico
"[...] essa refeição foi das mais parcas da minha vida: um ovo, uma fatia de pão, uma chicara de chá. Não me esqueceu esta circumstancia minima [...]"
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881
🔍 Análise Linguística
"chicara" → hoje: xícara. "circumstancia" → hoje: circunstância. "minima" → hoje: mínima. Essas mudanças mostram como a ortografia se transformou ao longo do século XX no Brasil.
Língua, Idioma e Dialeto
Conceito
Definição
Exemplo
Língua
Sistema de regras e valores compartilhados por uma comunidade
Português, Inglês, Basco
Idioma
Língua vinculada à identidade oficial de um país
Português (Brasil, Portugal), Espanhol
Dialeto
Variedade regional ou social de uma língua
Português nordestino, gaúcho, carioca
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O que é língua como fenômeno vivo?
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As línguas mudam continuamente por influências sociais, culturais e históricas — não são sistemas fixos ou estáticos.
Diferença entre mudança natural e artificial
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Natural: oralidade transforma sons (ex: 'vamos embora'). Artificial: decisão deliberada como o Acordo Ortográfico de 1990.
Quando o Acordo Ortográfico entrou em vigor no Brasil?
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Foi assinado em 1990, mas só entrou oficialmente em vigor no Brasil em 2016.
O que é lusofonia?
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Conjunto de países que têm o português como língua oficial: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau e Timor-Leste.
Diferença entre idioma e dialeto
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Idioma: língua oficial de um país (vinculada ao Estado). Dialeto: variedade regional ou social de uma língua (sem necessariamente ter status oficial).
Por que o Machado de Assis escrevia 'circumstancia'?
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Era a grafia correta da época. A ortografia evoluiu e, pelo Acordo, passou a 'circunstância' com acento e sem o 'h'.
O que influenciou o português brasileiro?
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Línguas indígenas (tupi-guarani), línguas africanas trazidas pela escravidão, imigração europeia e asiática, e a separação geográfica de Portugal.
Por que 'vossa mercê' virou 'você'?
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Processo de redução por uso oral: vossa mercê → vossemecê → vosmecê → vancê → você. Pronome formal que se popularizou e perdeu a formalidade original.
📝 Questões de Vestibular
Q1ENEM
Segundo o poema 'Evocação do Recife' de Manuel Bandeira — 'A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros / Vinha da boca do povo na língua errada do povo / Língua certa do povo' — as variações linguísticas das classes populares devem ser:
Asatirizadas, pois ferem o português autêntico
Bquestionadas, pois o povo esquece a sintaxe lusitana
Csubestimadas, pois Portugal deve ser referência
Dreconhecidas, pois garantem a formação cultural brasileira
Ereelaboradas, pois o povo 'macaqueia' a língua
Bandeira apresenta a fala popular como 'língua certa do povo', valorizando-a como expressão autêntica do Brasil. 'Língua errada' é irônico — o poeta está defendendo o português brasileiro informal como legítimo e culturalmente rico.
Q2ENEM
No poema de José Paulo Paes sobre Lisboa, o viajante toma expresso/chega de foguete, sobe num bonde/desce de um elétrico etc. O observador desse texto é:
Aimigrante em Lisboa com domínio do português europeu
Bturista europeu com domínio de duas variedades
Cportuguês com domínio do coloquial brasileiro
Dfalante do português brasileiro em contato com o português lusitano
Epoeta defensor do uso padrão de Portugal
O poema mostra a perspectiva de um falante do português brasileiro (que usa 'bonde', 'cafezinho', 'cara') em contato com os equivalentes lusitanos ('elétrico', 'bica', 'pá'). O estranhamento é claramente de um brasileiro em Portugal.
Q3ENEM-Adaptada
No texto sobre a língua geral no Brasil Colonial, sua formação foi condicionada:
Apelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos portugueses
Bpelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber linguístico dos indígenas
Cpela percepção de que as línguas indígenas precisavam aperfeiçoar-se
Dpelo interesse unilateral dos indígenas em aprender o português
Epelos processos históricos de contato entre missionários e povos nativos
A língua geral surgiu do contato histórico real entre missionários que aprendiam línguas nativas para catequizar e povos indígenas. Não foi interesse unilateral de nenhum lado, mas um processo histórico bilateral de necessidade comunicativa.
Q4UFSCAR
Sobre língua, idioma e dialeto, é CORRETO afirmar:
ABasco é um idioma porque é falado por uma nação
BEspanhol é língua mas não idioma
CDialeto é sempre inferior à língua padrão
DIdioma sempre está vinculado à língua oficial de um país
ELíngua e idioma são termos sinônimos perfeitos
Idioma é a língua vinculada à existência de um Estado político — é a língua oficial de um país. O basco, por exemplo, é uma língua mas não é idioma pois não é língua oficial de nenhum país independente. A d está correta.
Q5UNICAMP
Em 'Descapotável', o autor Mário Prata considera que a palavra faz 'mais sentido que conversível'. Os dois afixos que formam 'descapotável' a partir de 'capota' são:
Ade- (negação) e -ível (possibilidade)
Bdes- (reversão) e -ável (possibilidade/qualidade)
Cde- (separação) e -ável (sufixo nominal)
Ddes- (intensidade) e -vel (adjetivo)
Edis- (negação) e -ável (verbal)
'Des-' indica reversão ou remoção (de-capotar = remover a capota). '-ável' forma adjetivos indicando possibilidade ou qualidade: 'capaz de ter a capota removida'. O humor está em que 'descapotável' descreve literalmente a função, ao contrário de 'conversível'.
Q6UFMS-Adaptada
Segundo o texto 'Qual a diferença entre língua, idioma e dialeto?', é VERDADEIRO:
ALíngua é um conjunto de variedades linguísticas (V)
B'Tu foi' é forma culta da norma padrão (F)
C'Tu foi' deve ser banida de todos os contextos (F)
DO português é a união de todas as formas compreensíveis entre si (V)
EDialetos são variedades que não pertencem à língua portuguesa (F)
A afirmativa 'Língua portuguesa pode ser definida como conjunto de variedades linguísticas' é VERDADEIRA — é exatamente a definição do texto. 'Tu foi' é dialeto informal, não deve ser 'banida' de todos os contextos pois é legítima em contextos informais.
Q7UFSC-Adaptada
Sobre o texto 'O banco da língua', é CORRETO:
AO autor defende que anglicismos enriquecem o português
BO autor compara o Banco Central ao guardião da língua
CO autor afirma que os jovens são os principais preservadores da língua
DO autor diz que o espanhol tem a mesma situação que o português entre os jovens
EO autor defende que lojas com nome estrangeiro devem ser fechadas
O autor usa a metáfora do Banco Central como 'guardião da moeda' para propor a criação de um 'Banco da Língua' que seria guardião do português — defendendo regulação e ensino rigoroso da língua.
Q8UFSC-Adaptada
Também sobre 'O banco da língua', é FALSO:
AO português é como o 'DNA da alma nacional'
BO Ronaldinho representa o patriotismo linguístico
CA língua não pode ser suprimida por tirania
DGaleses e bascos preservam suas línguas com afinco
EA França tem programas de resistência ao inglês
O autor usa o futebol (Ronaldinho) como contraponto negativo: o brasileiro vibra pela pátria 'só quando Ronaldinho penetra na meia-lua' — ou seja, o futebol representa um patriotismo superficial que não se estende à língua. A afirmativa b inverte o sentido.
Q9ENEM
A pesquisadora Janaína Behling afirma 'Nós falamos brasileiro'. Isso significa que:
AO Brasil deve adotar outra língua oficial
BDo ponto de vista gramatical, o português brasileiro já é uma língua autônoma
CA pesquisa mostra que o português europeu é superior
DBrasileiros devem aprender o português de Portugal
EO Acordo Ortográfico deve ser revisado
A pesquisadora argumenta, com base em análise sociolinguística, que o português brasileiro desenvolveu gramática, fonologia e léxico próprios a ponto de poder ser considerado uma língua autônoma — não apenas uma variante do português europeu.
Q10ENEM
O texto de Machado de Assis com 'chicara', 'circumstancia' e 'minima' demonstra principalmente:
AErros de ortografia do autor
BQue o português do século XIX era inferior
CQue as línguas sofrem mudanças ao longo do tempo
DQue o Acordo Ortográfico piorou a língua
EQue Machado não conhecia gramática
O exemplo ilustra perfeitamente que as línguas são fenômenos vivos que mudam com o tempo. As grafias eram corretas no contexto da época — são evidências de mudanças linguísticas naturais e institucionais, não erros do autor.