Q1 — Função do paradigma
Qual é a função de um paradigma no desenvolvimento da ciência?
O paradigma fornece à comunidade científica um modelo compartilhado para identificar os problemas legítimos de uma disciplina, os métodos aceitos para resolvê-los e os critérios para avaliar soluções. Ele é como uma gramática implícita que orienta a pesquisa: diz o que conta como boa ciência, o que pode ser ignorado e o que constitui anomalia. Sem paradigma, cada cientista teria que recomeçar do zero.
Q2 — Tradição científica legítima
O que caracteriza uma tradição científica legítima, segundo Kuhn?
Uma tradição científica legítima é aquela que se organiza em torno de um paradigma aceito coletivamente — veiculado por manuais, ensino e prática compartilhada. Essa aceitação coletiva define o que conta como problema, método e solução válidos. A legitimidade não é dada por critério lógico externo (como a falseabilidade de Popper), mas pela adesão da comunidade e pela capacidade do paradigma de guiar a pesquisa.
Q3 — Paradigma resolve enigmas
Por que Kuhn afirma que o paradigma ajuda a resolver enigmas?
Porque o paradigma já fornece a estrutura dentro da qual os enigmas fazem sentido: define o que é um problema, quais ferramentas podem ser usadas e como avaliar uma solução. O cientista em "ciência normal" não inventa métodos do zero — aplica o paradigma a casos novos. O enigma é justamente o problema que o paradigma prevê mas ainda não resolveu. Fora do paradigma, não há enigma — apenas caos.
Q4 — Seguir sempre o mesmo paradigma?
Os cientistas devem sempre seguir o mesmo paradigma? Por quê?
Resposta pessoal. Possível linha: não necessariamente — Kuhn mostra que os paradigmas entram em crise quando acumulam anomalias que não conseguem resolver. Nesses momentos, manter o paradigma é dogmatismo; abandoná-lo prematuramente pode ser precipitação. A tensão entre conservadorismo (estabilidade da ciência normal) e abertura à revolução é constitutiva do progresso científico. Feyerabend acrescenta: pluralismo de paradigmas pode ser mais criativo que fidelidade a um único.
Q1 · UNICENTRO — Filosofia e Ciência
Sobre Filosofia e Ciência, qual afirmação é correta?
✓ A — A neutralidade científica é um mito.
Kuhn e Feyerabend demonstram que a ciência está inserida em contextos históricos, sociais e ideológicos — a neutralidade absoluta é ilusória. (B) é falso: o racionalismo instrumental é, por definição, reducionista. (C) confunde: Aristóteles é referência da filosofia antiga, não da ciência moderna. (D) é historicamente incorreto. (E) é falso: explicação científica exige método, teste e coerência interna.
Q2 · UNICENTRO — Paradigmas de Kuhn
O texto sobre ciência normal, crise e revolução refere-se a qual filósofo e concepção?
✓ C — Thomas Kuhn e a adoção de paradigmas.
Os termos "período pré-paradigmático", "ciência normal", "crise" e "revolução científica" são vocabulário exclusivo de Kuhn. (A) Popper usa falseabilidade, não paradigmas. (B) Feyerabend defende pluralismo, não o ciclo paradigmático. (D) Carnap defende verificabilidade. (E) Poincaré defende o convencionalismo.
Q3 · UFSM — Paradigmas de Kuhn (múltipla)
Quais afirmações sobre paradigmas em Kuhn estão corretas?
✓ E — I, II e III são todas corretas.
I: paradigmas são formas de resolver problemas em determinado período histórico — correto. II: são transmitidos pelos manuais científicos e pela formação dos estudantes — correto. III: contêm visões de mundo, pressupostos sobre o que é real e importante — correto. Kuhn integra todos esses aspectos: técnico, pedagógico e ontológico.
Q4 · UEL — Popper e o positivismo
Sobre a crítica de Popper ao positivismo, quais afirmativas são corretas?
✓ B — Somente I e IV são corretas.
I: Popper critica o positivismo por querer aniquilar a metafísica e buscar enunciados certos — correto. IV: observações só podem refutar, não provar uma teoria — correto. II: FALSO — Popper substitui verificabilidade por falseabilidade. III: FALSO — para Popper, os positivistas acreditam em enunciados seguros, não revisáveis; é ele quem valoriza a revisão.
Q5 — Feyerabend e o avanço científico
Para Feyerabend, o avanço do conhecimento científico…
✓ C — pode envolver rupturas com teorias consolidadas, mesmo que as novas explicações sejam inicialmente limitadas em alcance.
Feyerabend afirma que novas teorias partem de domínios estreitos e só depois se expandem — o avanço não é linear nem acumulativo (D). (A) é parcialmente verdadeiro mas Feyerabend não exige que novas teorias sejam "mais abrangentes". (B) contradiz seu argumento central: não há neutralidade observacional. (E) ecoa Lakatos, não Feyerabend.