Q1 — Comunidade e linguagem em Wittgenstein
Qual é o papel da comunidade ou cultura no uso e na compreensão da linguagem?
Para Wittgenstein, a linguagem não é produto de intenções individuais isoladas — ela é constituída pelas práticas, hábitos e instituições de uma comunidade. Aprender uma palavra é aprender um jogo de linguagem completo: em que situações usá-la, com que finalidade, segundo que regras. O significado não está na cabeça do falante, mas na forma de vida compartilhada. Por isso, uma expressão incompreensível fora de seu contexto cultural não é "errada" — é de outro jogo.
Q2 — Linguagem e filosofia
Por que entender como a linguagem funciona é importante para compreender a atividade filosófica?
Muitos problemas filosóficos tradicionais — como a natureza da alma, do tempo ou da liberdade — são, para autores da filosofia analítica, confusões geradas pelo uso impreciso da linguagem. Compreender como a linguagem funciona permite identificar quando uma questão é genuinamente filosófica e quando é apenas um pseudo-problema linguístico. Além disso, toda argumentação filosófica se faz em linguagem — analisar seu funcionamento é pré-condição para pensar com clareza.
Q3 — Jogo de linguagem: pedir desculpas
Explique como "pedir desculpas" depende de regras específicas da linguagem para ser compreendida.
Pedir desculpas é um jogo de linguagem com regras sociais precisas: exige reconhecimento de uma falta, expressão de arrependimento e, geralmente, intenção de reparação. "Desculpa" dita com ironia, sem contexto de erro, ou de forma mecânica invalida o jogo. O mesmo ato de fala muda de significado conforme o tom, o contexto relacional e as expectativas culturais. No Brasil, por exemplo, "desculpa" pode ser mais formal que "foi mal" — dois jogos distintos com regras e efeitos sociais diferentes.
Q1 · UNISC — Filosofia analítica
Qual alternativa correta descreve a Filosofia analítica?
✓ C — Os filósofos analíticos ocupam-se principalmente da linguagem — semântica, sintaxe e uso — em torno de verdade, significado e referência.
(A) descreve a Teoria Crítica de Frankfurt. (B) mistura com crítica social do marxismo. (D) descreve o existencialismo. (E) descreve a estética filosófica. A filosofia analítica é precisa: análise lógica da linguagem para resolver ou dissolver problemas filosóficos.
Q2 · UNIOESTE — Tractatus e linguagem
Sobre as teses do Tractatus, qual alternativa é correta?
✓ C — Os limites da minha linguagem denotam os limites do meu mundo.
(A) é falso: no Tractatus, linguagem e mundo têm a mesma estrutura lógica — há simetria. (B) é falso: as proposições não são limitadas em número; a lógica é formal e infinita. (D) é tarefa do filósofo analítico, não do cientista. (E) confunde: a forma lógica é o que linguagem e mundo compartilham — não um fato do mundo.
Q3 · UNIMONTES — Limites da linguagem (INCORRETO)
"Os limites de minha linguagem significam os limites de meu mundo." Qual alternativa é INCORRETA?
✓ D — "Quanto mais amplo for o mundo e a linguagem, mais restritas se tornam as possibilidades de pensamento." É INCORRETA.
A lógica de Wittgenstein é inversa: mundo e linguagem se expandem juntos — quanto mais rica a linguagem, maiores as possibilidades do mundo e do pensamento (C). A afirmativa D inverte a relação sem justificativa.
Q4 · UNESP — Russell e a "tirania do hábito"
Segundo Russell, o enfrentamento da "tirania do hábito" pela filosofia contribui para…
✓ D — a expansão das bases do conhecimento.
Russell defende que a filosofia liberta o pensamento do senso comum e dos preconceitos habituais, expandindo o que podemos conhecer e questionar. Não é ceticismo absoluto (B) — é abertura crítica. Não é rejeição de saberes tradicionais (C) — é revisão fundamentada. (A) e (E) são temas diferentes.
Q5 · IFTO — Wittgenstein (INCORRETO)
Sobre Wittgenstein, qual afirmação é INCORRETA?
✓ D — "A primeira fase estabelece premissas de uma concepção psicológica da linguagem." É INCORRETA.
O Tractatus é explicitamente lógico-formal, não psicológico — Wittgenstein critica o psicologismo como Husserl. A segunda fase não é mais lógica que a primeira: é pragmática/contextual. A inversão descrita em D contradiz toda a trajetória de Wittgenstein.