Q1 — A Náusea e a descoberta da existência
O que o personagem descobre sobre si mesmo e o mundo ao viver a experiência da "Náusea"?
O personagem descobre que a existência não é uma propriedade das coisas — ela é pura contingência, presença bruta sem necessidade ou justificativa. Até então, classificava o mundo (o mar é verde, a gaivota é branca) sem jamais tocar a existência em si. A Náusea revela que existir é um dado irredutível: as coisas simplesmente "estão aí", sem razão, sem essência prévia. Essa descoberta é vertiginosa porque expõe que o próprio sujeito também é pura existência contingente.
Q2 — "A Náusea sou eu"
Por que o personagem afirma "a Náusea sou eu"?
Porque a Náusea não é uma sensação passageira, mas a revelação do modo fundamental de existir: contingente, sem fundamento, sem essência prévia. O personagem percebe que não é uma consciência separada do mundo — ele é existência, e a Náusea é a tonalidade afetiva dessa existência revelada. Dizer "a Náusea sou eu" é reconhecer que a contingência radical não está lá fora: é o que ele é.
Q3 — Existir além dos sentidos
De que maneira o texto mostra que existir é mais do que perceber o mundo com os sentidos?
O personagem percebia o mar como "verde" e a gaivota como "branca" — classificações sensoriais corretas — mas não tocava a existência. Existir, para Sartre, é algo anterior e mais fundamental que qualquer percepção ou classificação: é a condição de possibilidade de tudo o mais. A Náusea revela essa dimensão pré-reflexiva da existência que as categorias sensoriais e linguísticas normalmente ocultam.
Q4 — Crítica à classificação das coisas
Qual é a crítica que Sartre faz ao modo como costumamos classificar ou nomear as coisas?
Ao dizer "o mar pertence à classe dos objetos verdes", o personagem usa a linguagem para domesticar a existência — reduzi-la a categorias manejáveis. Sartre critica esse hábito: as classificações tranquilizam, mas afastam do contato direto com a existência bruta das coisas. A linguagem cria uma ilusão de necessidade e ordem onde há apenas contingência radical. A Náusea irrompe quando essa ilusão se rompe.
Q1 — A Náusea e contingência
A experiência da "Náusea" mostra que…
✓ D — a existência dos entes não é fundamentada por necessidade prévia, mas se dá de forma contingente.
O essencial, diz Sartre, é a contingência: existir é simplesmente estar presente, sem dedução possível. (A) contraria o existencialismo ateu de Sartre. (B) é muito radical — Sartre não nega sentido, ele o situa na escolha humana. (C) inverte tudo: é precisamente a ausência de essência fixa que a Náusea revela. (E) confunde: a angústia não depende de recusar valores tradicionais.
Q2 · ENEM — Beauvoir e o feminismo
"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher." A proposição de Beauvoir contribuiu para estruturar…
✓ C — organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero.
A obra de Beauvoir forneceu base teórica para o feminismo de 2ª onda (anos 1960–70), que se organizou em manifestações públicas reivindicando direitos iguais — trabalho, educação, autonomia. (A) e (B) são conquistas posteriores e mais específicas. (D) é temática diferente. (E) são políticas públicas, não o movimento social diretamente.
Q3 · ENEM — Merleau-Ponty e ambiguidade
O texto de Merleau-Ponty sobre o filósofo e a ambiguidade caracteriza a atividade filosófica por…
✓ D — conciliar o rigor da investigação com a inquietude do questionamento.
Merleau-Ponty descreve o filósofo como aquele que se move entre saber e ignorância, sem se instalar no absoluto. Isso é precisamente conciliar rigor (método) com inquietude (abertura à ambiguidade). (A) seria hegeliano. (B) e (C) remetem ao racionalismo clássico que Merleau-Ponty recusa. (E) é genérico demais.
Q4 · UERJ — Beauvoir e princípios histórico-culturais
A abordagem de Beauvoir em O segundo sexo valoriza princípios do seguinte tipo:
✓ C — histórico-culturais.
Beauvoir analisa como fatores históricos, sociais e culturais — não biológicos — constroem a identidade feminina como inferior. Ser mulher não é destino natural: é resultado de educação, costumes, instituições. O texto de Goldenberg destaca exatamente essa dimensão histórica e cultural da opressão.
Q5 · UEM — Lévinas e alteridade (múltipla escolha)
Com base no texto sobre Lévinas, quais afirmações são corretas?
✓ D — Somente II, III e V são verdadeiras.
II: a modernidade (epistemologia) não deu ao outro o devido estatuto filosófico — correto. III: ao criticar a filosofia do sujeito, Lévinas eleva a ética à primeira filosofia — correto. V: o outro não se reduz ao eu, pois a alteridade é irredutível — correto. I é falso: a ontologia estuda o mesmo, não a alteridade. IV é falso: Kant descreve categorias transcendentais do sujeito, não a experiência do outro.