Q1 — Crítica de Nietzsche à vontade de Schopenhauer
Qual é a crítica feita por Nietzsche à ideia de vontade em Schopenhauer?
Nietzsche critica que Schopenhauer tomou um "preconceito popular" — a ideia de que a vontade é algo simples e bem conhecido — e o exagerou. Para Nietzsche, "querer" é algo complexo, não uma unidade transparente: envolve múltiplos impulsos, afetos e perspectivas que o conceito unificado de "vontade" obscurece. Schopenhauer teria tratado como dado o que precisaria de investigação genealógica e psicológica.
Q2 — Complexidade do "querer"
O que Nietzsche quer dizer ao afirmar que o "querer" é algo mais complexo e menos evidente do que parece?
Nietzsche entende que "querer" envolve uma pluralidade de impulsos conflitantes, juízos de valor, afetos e relações de poder — não uma força simples e unificada. A palavra "vontade" seria apenas uma etiqueta que esconde essa multiplicidade. O perspectivismo nietzschiano exige desconfiar das generalizações: a aparente simplicidade do conceito é produto de um preconceito filosófico.
Q3 — Moral e transvaloração
Por que os valores morais tradicionais dificultam a afirmação da vida? Relacione à transvaloração.
A moral judaico-cristã, para Nietzsche, nasce do ressentimento e nega a vida ao reprimir instintos, valorizar a obediência e projetar sentido em um mundo transcendente. Ela trata o sofrimento como virtude e a força como vício. A transvaloração propõe inverter essa hierarquia: substituir valores reativos e negativadores da vida por valores criados pelo próprio indivíduo, afirmativos, corporais e terrestres — o que exige coragem existencial (amor fati) e abandono dos ídolos herdados.
Q1 · ENEM — Resignação em Schopenhauer
O trecho compara satisfação dos desejos à esmola e resignação à herança. A felicidade, para Schopenhauer, é indissociável de…
✓ B — administração da independência interior.
A resignação, para Schopenhauer, liberta o sujeito da dependência do mundo externo e dos desejos incessantes. Não é busca de prazer (E), nem de afetos (A): é a conquista da autonomia interior pela negação da vontade — permanente em vez de passageira como a satisfação do desejo.
Q2 · ENEM — Surgimento da Filosofia grega
O que, para Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos (texto sobre Tales)?
✓ C — A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes.
Nietzsche elogia Tales por três razões: enuncia algo sobre a origem das coisas, faz isso sem imagem/fábula (racionalmente) e contém o germe de "tudo é um". Trata-se de busca racional da arkhé — não de metáforas (B) nem de método (D).
Q3 · UECE — Dionisíaco e Apolíneo
Para Nietzsche, o mundo "só se justifica como fenômeno estético"…
✓ A — o mundo é sensível, fenomênico, e a arte confirma uma realidade igualmente sensível e fenomênica.
Nietzsche rejeita mundos suprassensíveis (B). A arte não é percepção científica (C) nem punição trágica (D): ela é a afirmação do caráter estético do real. O dionisíaco e o apolíneo são forças da natureza — não espirituais, mas vitais e instintivas.
Q4 · UFU — Genealogia da Moral
Sobre a distinção entre moral nobre e moral de escravos, qual alternativa é correta?
✓ A — O ressentimento é movimento de dirigir-se para fora; a moral nobre é fruto de autoafirmação.
A moral do escravo sempre reage ao "outro" que ela nomeia "mau" — é reativa e vingativa. A moral nobre parte de si: primeiro afirma "eu sou bom", depois nega o fraco como "mau". (B) inverte: para Nietzsche, "bom" na moral nobre não nasce do reconhecimento alheio. (C) confunde: são as ovelhas que expressam fraqueza como força, não o contrário.
Q5 · ENEM — Niilismo em Zaratustra
O trecho de Zaratustra ("Tudo é oco, tudo passou…") traduz a doutrina niilista porque…
✓ D — destaca a decadência da cultura.
O texto expressa o esgotamento dos valores tradicionais: o trabalho tornou-se inútil, o vinho (vida) virou veneno, o fogo (criatividade) se apagou. É a imagem da cultura ocidental que perdeu seus fundamentos — diagnóstico do niilismo como colapso cultural, não mero sentimento de ansiedade (E) nem exortação política (C).